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Estudante de Medicina

Doença de Chagas: Ciclo de Vida, Patologia e Quadro Clínico

A Doença de Chagas foi inicialmente descrita por Carlos Chagas (1879-1934) que publicou todos os detalhes da doença – agente, vetor, ciclo de vida, quadro clínico. Hoje vou compartilhar com vocês um resuminho que fiz para meus estudos aqui na faculdade, espero que as informações sejam úteis!

tripanossoma-cruzi

Aspectos Epidemiológicos

Trata-se de uma doença infecciosa restrita à América, um sinonímeo é Tripassonomíase Americana. Estima-se uma prevalência de 7 a 8 mihões de pessoas portadoras da doença de Chagas nas Américas, os países com maiores índices são Brasil, Argentina e México.

O agente causador é um protozoário, o Tripanossoma cruzi, e o vetor é um inseto triatomíneo que originalmente vive em palmeiras, como a de Açaí, em regiões de floresta nativa. A expansão do homem sobre as matas levou a uma domicialização do vetor e seu contato com o homen, possibilitando a transmissão. Esses insetos podem ter como ecótopo artificial as frestas de casas de pau a pique, muito características da zona rural e interior.

Hoje em dia, houve uma melhora significativa das moradias, informação da população e combate ao vetor, por isso a forma mais comum de se contrair Chagas nos últimos anos é por via oral (vou explicar mais a frente) e não mais pela transmissão pelo barbeiro.
O período de incubação da doença é de 5 a 14 dias após a picada do inseto, para o aparecimento da forma aguda; e de 3 a 17 dias em surtos de transmissão oral.

Fisiopatologia e Ciclo de Vida do Tripanossoma cruzi

A doença de Chagas é uma zoonose, ou seja, o protozoário infecta diversos animais na natureza e acidentalmente o homem. Disso decorre a dificuldade em erradicar a doença, porque há inúmeros animais hospedeiros tanto em ambiente silvestre, perisilvestre e doméstico. Como escrevi acima, o vetor é um inseto da classe dos Triatomíneos, o mais conhecido é o Rhodnius prolixus (o Barbeiro).

Fonte CDC

Fonte CDC

Descrição do ciclo de vida do parasita: Um barbeiro infectado transmite em suas fezes a forma tripomastigota (infectante flagelada) que entra no hospedeiro pelo local da picada do inseto hematófago – nesse local forma-se o Chagoma de inoculação caracterizado por vermelhidão e prurido. Na corrente sanguíneo do hospedeiro, o parasita invade células musculares ou é fagocitado, no ambiente intracelular assume a forma Amastigota (que evade dos fagolisossomos e consegue se multiplicar). Quando a celula rompe, são liberados Tripomastigotas (forma flagelada) que vai então infectar novas celulas ou ser sugada pelo inseto hematófago (triatomíneo), fechando o ciclo de transmissão.

Outras formas de aquisição da doença:

  • Oral: grande causadora de Chagas Agudo, ocorre quando o vetor silvestre é processado com alimentos, como Açaí não pasteurizado. Nesse caso, há inoculação de grandes quantidades de parasitas;
  • Transfusão sanguínea ; transplantes;
  • Vertical: durante a gravidez

Quadro Clínico – Sintomas 

– Doença de Chagas Aguda: logo após a infecção pode haver um período de sintomas inespecíficos – semelhantes ao das Síndromes Mono-like, com febre, adenomegalia, mialgia, rash cutâneo (nesse caso, o rash é mais delimitado e fica na região da picada e inoculação). Ao exame físico pode ser encontrado também o Sinal de Romana, característico da fase aguda do Chagas, que é o edema palpebral unilateral.

– Doença de Chagas Indeterminada: pessoa infectada e com sorologia positiva para Tripanossoma cruzi, porém assintomática.

– Doença de Chagas Crônica: apenas 30 a 40% das pessoas infectadas desenvolvem a forma crônica sintomática do Chagas, podendo haver duas apresentações clássicas:

  • Acomentimento Digestivo: com sintomas de Disfagia, Regurgitação causados pelo Megaesofago; outros possíveis sintomas são obstrução intestinal insidiosa causada por megacólon chagasico.
  • Acometimento Cardíaco: alterações eletrofisiológicas como Arritmias, bradicardia, bloqueio de ramos atrio ventriculares, além de qe insuficiencia cardíaca de diversos graus formam o quadro possível de Cardiopatia Chagásica.

Características patológicas da Doença de Chagas:

Fonte: http://www.scielo.br/img/revistas/mioc/v106n6/01f01.jpg

Fonte: http://www.scielo.br/img/revistas/mioc/v106n6/01f01.jpg

  • Formas dos parasitas no indivíduo infectado: amastigotas intracelulares, principalmente na musculatura; e forma tripomastigota no sangue periférico, geralmente na fase aguda.
  • Ninhos de amastigotas de Tripanossoma cruzi em quase todos os órgãos, com predomínio em musculatura lisa, coração, baço e fígado são visíveis na fase aguda.
  • No coração ocorre: adelgaçamento da parede muscular, podendo ocorrer aneurisma de ponta (no ápice do coração, sua ruptura causa morte súbita); dilatação cardíaca levando a uma cardiomegalia revelada em radiografia; na microscopia pode haver miocardite crônica, fibrose fina e difusa, ausência ou poucos ninhos de T. Cruzi.
  • No trato gastrointestinal, o parasita causa fibrose e destruição de neurônios do plexo nervoso mioentérico, isso leva a dilatações, áreas de espessamento ou afilamento da musculatura; miosite e neurite.

Diagnóstico Etiológico

Para diagnóstico em fase aguda pode-se fazer: microscopia direta, um exame a fresco em lamina para verificar motilidade; e gota espessa ou esfregaço corado com Giemsa,para evidenciar o parasita. Já para o diagnóstico em fase crônica, algumas opções são realizar o xenodiagnóstico, hemocultura, sorologia IgG (necessário dois exames positivos) e PCR.

Tratamento, Controle e Prevenção

O tratamento mais agressivo ao parasita pode ser feito na fase aguda, se confirmado o diagnóstico. Após isso, na fase crônica o tratamento reside no controle das consequências patológicas – para ICC, por exemplo. 

Como medidas profiláticas temos: controle do vetor (uso de inseticidas), melhoria das moradias (casas de alvenaria), controle e fiscalização de transfusões; pasteurização de alimentos; educação em saúde; notificação compulsória de todos os casos e surtos.

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Sobre o autor | Website

Sou estudante do 4º ano de Medicina na Faculdade de Medicina da USP, blogueira desde 2012 quando fazia Cursinho pré-vestibular. Há poucos meses comecei o Vlog Mediários no You tube.

2 Comentários

  1. Humberto disse:

    Bianca.

    gostaria de saber se você seguiu algum cronograma específico no seu ano de prepação para os vestibulares. Não me refiro a um cronograma com horários semanais , só quero saber se você já sabia as matérias que iria estudar ou só ia estudando as que mais tinha dúvida ao longo do ano. Qual cursinho você fez?

    Aliás, gostaria de saber sua opinião sobre a faculdade de medicina na UFV. Digamos, que nota você daria para a FMUSP e que nota você daria para a medicina na UFV, de 0 á 10?

    Agradeço pela atenção, continue com o ótimo site!

    • Bianca disse:

      Oi Humberto, 

      Eu seguia o cronograma do meu cursinho, Objetivo, portanto ia estudando as matérias conforme tinha as aulas –  Aula dada, aula estudada! Fora isso, fazia apenas cronogramas semanais de horários, se eu sentisse muitas dúvidas em uma matéria, colocava mais períodos para ele etc.

      Eu não saberia dar uma nota de 0 a 10 para a UFV, porque teria que pesquisar muito sobre infraestrutura, professores, oportunidades de pesquisa e locais de estágio dos alunos… Sei que é uma excelente instituição pública, conheço uma menina que fez Medicina Veterinária em Viçosa e disse que foi um curso muito bom, mas sobre o de Medicina especificamente não conheço. Como estudo na FMUSP posso dizer que é uma das melhores do país, considerando os tópicos que listei acima =)

      Imagina, espero ter ajudado!! Muito obrigada pelo apoio, precisando pode me escrever!

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