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Empatia na Medicina – Percepção do Subjetivo do Paciente

O Conceito de Empatia e Cuidado são cada vez mais discutidos dentro da formação médica, em diversas matérias que já cursei na faculdade eles são discutidos no contexto da Humanização da Medicina. Hoje vou comentar um pouquinho sobre eles e sua relevância para a prática médica.

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O que é Empatia? Qual sua Importância na Medicina

s.f. Aptidão para se identificar com o outro, sentindo o que ele sente, desejando o que ele deseja, aprendendo da maneira como ele aprende etc. 
Psicologia. Identificação de um sujeito com outro; quando alguém, através de suas próprias especulações ou sensações, se coloca no lugar de outra pessoa, tentando entendê-la. 
Competência emocional para depreender o significado de um objeto, geralmente, um quadro, uma pintura etc. 
Faculdade para idealizar ou traçar a personalidade de alguém, projetando-a num dado objeto, de maneira que tal objeto pareça estar indissociável desta. 
Sociologia. Compreensão do Eu social a partir de três recursos: enxergar-se de acordo com a opinião de outra pessoa; enxergar os outros de acordo com a opinião de outra pessoa; enxergar os outros de acordo com a opinião deles próprios. 

Como vocês podem perceber, esse conceito é de aplicação essencial na Medicina, permite ao profissional uma percepção mais global e também subjetiva do Paciente – o que eles pensa sobre sua condição, suas expectativos do tratamento e medos advindos da doença.

A Empatia é também um favorecedor do estabelecimento do vínculo entre médico e paciente, gerando mais compreensão e cumplicidade no diálogo entre esses indivíduos. Uma Medicina mais humanizada é baseada em grande parte nesse conceito de Empatia, pois nela o paciente deve ser visto como mais do que a doença, mais do que um rim ou coração doente, mas como uma pessoa, em toda sua complexidade, com uma determinada doença.

Não há bom tratamento se o relacionamento médico-paciente é ruim, não é raro ouvirmos queixas sobre médicos desumanos, que atendem sem ao menos olhar no rosto do paciente, que nem querem mais examina-los. Isso é um problema da Medicina atual, com tantos exames auxiliares e tecnologia, o olho no olho foi perdendo espaço.

Uma história para refletir sobre a Empatiaaproveitando a minha onda de Contadora de Histórias trago um texto bem significativo sobre o tema:

" O Viajante e a Melancia

Era uma vez um homem que caminhava numa estrada, quando se deparou com um grupo de moradores de um vilarejo, que vinham aterrorizados em sua direção.

Ele parou e perguntou o qu estava acontecendo. Todos choravam e demonstravam medo, afirmavam que havia um monstro terrível nos campos de suas propriedades e apontavam para ele. Mas quando o caminhante olhou naquela direção, tudo o que viu foi uma enorme melancia.

Voltando-se para os moradores, indignado e com raiva, chamou-os de ignorantes, afirmando que aquilo não era um monstro, mas sim uma fruta. Os moradores insistiram que era um monstro. O caminhante,nervoso, acusou-os de estarem mentindo. Eles o mataram, considerando-o um louco.

Pouco tempo depois, um outro viajante, um homem mais sábio, veio na mesma direção e como no primeiro caso, perguntou sobre o problema. Também viu somente uma melancia. Mas sua reação foi diferente: coma mão trêmula tirou a faca da cintura, e com um movimento rápido correu até o campo, pulou na melancia, cortando-a em vários pedaços.

Os moradores pularam de alegria ao ver seu inimigo destruído. Aclamaram o viajante como líder do vilarejo, posição que manteve até que lhes foi possível mostrar a diferença entre um monstro e uma melancia."

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Essa história é simples e mostra claramente o poder da Empatia, o homem incapaz de se colocar no lugar dos moradores do vilarejo que temiam algo desconhecido não conseguiur estabelecer uma comunicação efetiva, foi incompreendido pelos outros e também não se fez compreender.

Levando isso para a prática médica, um profissional que não entende o lado subjetivo do paciente diante de uma doença ou condição clínica, o que o levou a procurá-lo, não conseguirá acalmar ou dar a resposta que ele está precisando, mesmo que o diagnóstico esteja certo e o remédio x ajude, a pessoa que chega ao consultório precisa sentir sua queixa acolhida – a tipica resposta de que "isso não é nada" mata a relação de confiança quando alguém traz uma queixa que a esta angustiando. Isso é apenas um exemplo simples, mas se formos refletir mais profundamente, em diversas situações a empatia e a construção de uma relação de confiança são necessárias, pessoas em estágios terminais, gravidez na adolescencia, diabetes descompensado, má aderência ao tratamento.

Em geral, a má aderência ao tratamento está ligada a não compreensão de sua condição, por exemplo o paciente que para de tomar remédio para Hipertensão porque sua pressão se normalizou com o tratamento – ele não compreendeu que o problema dele era crônico e como deveria usar os remédios. Outra situação é a depressão, o medico pode não investigar as causas desse quadro, coversar mais abertamente com o paciente, e muitas vezes deixar de encaminhar para o psicologo se necessário. Assim, vemos o quanto uma visão mais subjetiva da vida e condição do paciente é valiosa na prática médica – em especial na comunicação, diagnóstico e no tratamento.

Assuntos do Artigo
  • empatia na relação médico paciente

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Sobre o autor | Website

Sou estudante do 4º ano de Medicina na Faculdade de Medicina da USP, blogueira desde 2012 quando fazia Cursinho pré-vestibular. Há poucos meses comecei o Vlog Mediários no You tube.

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