Diário de um Estudante de Medicina

Meus Primeiros Partos na Obstetrícia – Estágio do Internato de Medicina

Olá, amigos!! Quem acompanha o Vlog Mediários já sabe que passei pelo estágio de Obstetrícia nesse mês, e hoje escrevo para contar como foi minha experiência na assistência aos Partos. Nos ultimos anos do curso tenho pensado cada vez mais em seguir na especialidade de Ginecologia e Obstetrícia, então vocês devem imaginar o quanto esperei ansiosa por esse estágio. 

Como funcionou o Estágio de Obstetrícia?

Foram duas semanas de estágio em Enfermaria e duas semanas em Pronto atendimento (PA) e Centro Obstétrico (CO), além disso tínhamos aulas e seminários regularmente ao longo do mês. Nossa preceptora fez também algumas atividades mais lúdicas como Workshop de revisão de exame físico osbtétrico, Discussão de casos clínicos e Quiz.

Falando de cada atividade em si, durante a Enfermaria a principal função dos alunos era chegar cedo para evoluir, ou seja, ver como estavam as pacientes internadas e as examinar. A maioria das pacientes era de pós parto, porém havia algumas que estavam internadas por quadros patológicos como Pressão alta, Pielonefrite, Abcesso mamário, Aborto retido etc. As evoluções eram bem tranquilas e rápidas de fazer, tanto que cada aluno ficava responsável por 3 a 4 pacientes por manhã. Depois disso, tínhamos uma Visita com algum dos assistentes para os quais passávamos os casos e eles fazem uma discussão sobre condutas e sobre a doença ou condição da paciente. 

Ao longo de todo o mês tivemos plantões de dia ou de noite no PA/CO, porém esses plantões estavam mais condensados na semana específica em que estivéssemos responsáveis por essa área. E um comentário a parte: dividir plantões é sempre muuuuito trabalho e chato, tem vários detalhes a serem levados em consideração e uma pequena falha pode dar o maior trabalho hahaha. No PA, nós ficavamos 12h atendendo fichas conforme a demanda, assim tinha dias movimentados demais e outros sem muito o que fazer – nesses dias ficava no consultório esperando fichas e estudando com os livros que tinham lá etc… As principais queixas obstétricas foram sangramento de 1º trimestre da gestação, incluindo os abortamentos como importante causa; Infecções; Trabalho de parto; Pós datismo (controle para > 40 semanas de gestação). 

No CO funcionava mais ou menos como no PA, em termos de ter dias cheios de partos e procedimentos e dias nos quais nada aparecia… Lá no CO, tivemos a oportunidade de ver partos das enfermeiras e obstetrizes, fizemos partos vaginais (com auxílio de residentes ou assistentes) e instrumentamos Cesáreas e outros procedimentos cirúrgicos. Umas das principais funções do interno são: ajudar no preparo da paciente (sonadagem, colocação dos campos), a instrumentação (montagem da mesa de intrumentos e auxiliar passando cada item necessário durante a operação) e sutura de pele (para nós é ótimo para pegarmos o jeito dos pontos e melhores técnicas que vimos em técnica cirúrgica). 

Minha participação em Partos Normais, Cesareas e outros Procedimentos

Eu nunca havia vivenciado partos ao vivo, mesmo tendo me interessado por essa área de Ginecologia e Obstetrícia, então o primeiro contato foi super emocionante e diferente… É um misto de emoções que temos ao estar ao lado da mãe dando auxílio nesse momento, temos que pensar sempre em cuidar da saúde da mãe (monitorizar qualquer alteração) e também cuidar do bebê que está prestes a nascer, identificando qualquer dificuldade para o parto (demora para dilatação, indícios de atraso do parto etc) ou alteração da vitalidade fetal (batimentos cardíacos, baixa movimentação etc).

Fora tudo isso, tem a ansiedade dos pais, a dor e todo o processo de trabalho de parto e os protocolos que nos dizem quando é a melhor hora para intervenção – seja aplicar uma medicação para aumentar contrações, seja analgesia ou indicação de uma cesárea. Tudo muito delicado que exige desse profissional muita consciencia de tudo o que está acontecendo e domínio técnico para passar segurança e controle ao ambiente quando algo de inesperado ocorre …

Então, nos primeiros partos normais fiquei meio perdida em como auxiliar (e não atrapalhar hahaah), mas os residentes foram sempre nos orientando e dando segurança, no final do estágio já dava para auxiliar em partos que fossem tranquilos e sem alterações de posição do feto ou dificuldade de passagem materna (chamamos isso de Distocias). Nesses momentos era preciso um assistente decidir se seria usado rotação manual do bebê, fórcipe ou episiotomia. E aqui já fala sobre essa questão: as indicações de intervenção foram todas muito adequadas e informadas às pacientes, então se houvesse grande dificuldade ao parto os médicos indicavam uma ação como episiotomia (corte no períneo para aumentar o canal de parto) ou outra atitude.  

Participei ajudando em instrumentação e sutura de algumas Cesáreas, ao final do estágio estava sabendo bem dos passos da cirurgia =) Outros alunos conseguiram participar de outros procedimentos como Curetagem (que é feita após abortamento, a paciente chega e precisa que façam alguma intervenção para evitar infecção ou sangramento contínuo), porém eu só atendi pacientes com esses casos quando estava de plantão no PA e encaminhei ao CO…

Vídeo do Canal Vlog Mediários:

No meu canal do Youtube, falei em mais detalhes sobre o estágio e também sobre algumas questões polêmicas na Obstetrícia – como casos de Aborto, Violência Obstétrica etc, recomendo que quem tiver interesse acesse lá!!!

Espero que tenham gostado de mais um relato sobre meu estágio prático do Internato em Obstetrícia… Em breve trarei mais informações sobre o próximo mês que será em Ginecologia e depois fériaaaas! Grande abraço e até a próxima =)

Assuntos do Artigo
  • Curriculo Medicina FAMERP
  • grade curricular medicina famerp sao jose do rio preto
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Sou estudante do 4º ano de Medicina na Faculdade de Medicina da USP, blogueira desde 2012 quando fazia Cursinho pré-vestibular. Há poucos meses comecei o Vlog Mediários no You tube.

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