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Profissão

Por Um Fio – Drauzio Varella, Trechos Marcantes do Livro, Comentários

O feriado de Páscoa foi um período ótimo, não que eu tenha estudado o suficiente para ficar tranquila com as provas que estão chegando, mas deu para descansar bastante e, principalmente, Ler!!

 Eu tenho uma relação engraçada com alguns livros, as vezes vou na livraria em busca de um exemplar recomendado, um clássico ou famoso, mas chegando lá acabo me encantando com algum que eu nem sabia da existência… Na maioria das vezes, eu acabo gostando demais desses livros que eu compro meio aleatóriamente. Isso ocorreu com o livro que li nesse feriado e vou comentar um pouco aqui no ABC da Medicina!

Estava eu lá na Livraria Cultura, na Avenida Paulista (amo muito aquele lugar), ajudando minha irmã a procurar suas séries de aventuras quando me deparei com "Por Um Fio" do famoso médico Dráuzio Varella. Eu sempre fui meio alienada, sabia pouca coisa sobre ele (apesar de sua fama), sua profissão e ao ler a descrição na contracapa decidi que precisava ler esse livro – fiquei feliz, eu acertei!! Recomendo a todos a leitura, principalmente se você deseja conhecer mais de perto os desafios de um médico que realmente se importa com seus pacientes!

 

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Depois de retratar de um ponto de vista único o universo dos encarcerados em Estação Carandiru, Drauzio Varella reflete sobre o impacto da convivência com a dor e com a perspectiva da morte no comportamento de pacientes e seus familiares. Ao especializar-se em oncologia numa época em que o câncer ainda era chamado de "aquela doença", Drauzio passou a ter contato diário com doentes graves. Dos trinta anos de experiência clínica, ele pintou as histórias mais reveladoras da alma humana diante da doença.

De um lado, a reação das pessoas que se descobrem doentes, de desespero ou de aceitação. Do outro, a atitude dos parentes, que varia de dedicação incondicional ao abandono. Há narrativas tristes, mas também histórias de curas quase impossíveis, graças aos avanços da medicina, ou mesmo de existências que se encerram com tranquilidade. E, ainda, episódios surpreendentes de mudança de vida, como se a visão da morte fosse um divisor de águas que confere novo sentido ao futuro.

Em Por Um Fio, está de volta o narrador cuidadoso de Estação Carandiru, que, contando histórias reais, põe o leitor diante de questões delicadas e difíceis, mesmo para quem lida com elas em sua rotina profissional. Dizer ou não dizer  a verdade ao paciente? Como conseguir que um doente viva o máximo de tempo com o mínimo de dor? As reflexões de Drauzio Varella norteiam-se pela crença num princípio: mais do que curar, o objetivo fundamental da medicina "é aliviar o sofrimento humano".

Companhia das Letras

Comentários sobre "Por Um Fio"

Como a sinopse acima diz, esse livro é incrivelmente denso no que tange ao conteúdo, pois a cada "causo" contado pelo doutor entramos em contato com vidas diferentes cujos sujeitos se deparam com a doença, com as dores físicas e as da alma, com o desafio de encarar a doença e a chegada da morte. Não apenas os pacientes e seus familiares enfretam dificuldades para passar por esses momentos, mas o profissional de saúde também – muitas vezes confundindo seu real papel de proporcionar alívio, busca por meios inviáveis e, em casos, traumáticos prolongar a vida ou trazer uma cura que não vai ocorrer, ações que só geram mais sofrimento e frustração a todos.

No livro, Drauzio conta sua trajeitória, de professor de cursinho, estudante de Medicina, seus estágios e carreira clínica… Viajamos para uma época em que a medicina não era tão avançada quanto atualmente, em que estavam se fazendo as primeiras descobertas sobre o que causava a AIDS e novas terapias surgiam na cancerologia. Este livro é uma leitura muito valiosa para os futuros médicos, pois ao longo dos episódios que nos são narrados podemos refletir mais sobre o sentido da vida, como interagir respeitosamente com as pessoas que são em essencia muito diversas… como compreender nossos limites como médicos e nossos deveres como seres humanos.

Alguns dos temas abordados na obra são: a questão dos Cuidados Paliativos, essencial para uma prática mais humana da Medicina, na qual se busca trazer o maior conforto e alívio para pacientes que não tem mais possibilidade de cura (antes abandonados pelos médicos, pois acreditava-se que ali terminara a sua ação); delicadeza do cuidado e da atenção com os pacientes, muitos dos casos relatados revelam que uma boa relação médico paciente envolve mais do que simples atenção ao patológico, mas um olhr para o indivíduo e que isso faz nascer grandes amizades e vínculos verdadeiros; Depressão; Fragilidade de certos laços amorosos e mesmo familiares; Traquilidade e Felicidade mesmo com um diagnóstico terminal…

Trechos Marcantes do Livro "Por Um Fio"

 

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"Com o tempo percebi a ingenuidade de (…) supor que, por imitação ou aprendizado, seja possível encarar com serenidade a contradição entre a vida e minha morte."

"Ao fechar os olhos diante da perda da integridade física do outro, procuramos afastar de nós o desconforto da lembrança de nossa prórpia efemeridade."

"Uma das lições que aprendi com a maturidade profissional foi não me dexar paralisar pela angústia que o contato com a dor do outro provoca. Para ajudar quem está amedrontado pela possibilidade de perder algo tão valioso como a prórpia vida, o pior interlocutor que pode existir é alguém condoído a ponto de entrar em pânico."

"Aprendemos muito sobre a função do médico moderno, a quem, ao contrário do que ocorria com os antigos, não cabe o papel de dar ordens ou impor condutas prescritas em letra ilegível, mas apresentar à pessoa doente o leque de alternativas disponíveis e as prováveis consequencias de cada escolha, para ajudá-la a selecionar a que melhor atenda a seus interesses."

"Poucos eventos na vida são capazes de isolar alguém como a progressão de uma doença fatal. Por mais empatia que a desventura do outro possa despertar, expormo-nos á insegurança, depressão, estados de ânimo contraditórios e crises de ansiedade de quem está ciente do seu fim é experiência tão angustiante que inventamos um milhão de subterfúgios para evitá-la. Lidar de perto com a perspectiva da morte alheia nos remete á contatação de nossa prórpia fragilidade."

"Por vergonhoso que possa parecer, dez anos depois de formado, nunca me havia ocorrido refletir sobre a finalidade de minha profissão. Para que serve a medicina? Se me perguntassem, provavelmente teria respondido ingenuamente que ela existia para curar pessoas, ignorando diabetes, hipertensão, reumatismo, os derrames cerebrais e tantas outras enfermidades crônicas. Pior, sem levar em conta sequer os doentes incuráveis que me procuravam."

"Hipócrates ensinava a seus alunos que um médico adquire fama graças à capacidade de fazer prognósticos, muito mais do que fazer diagnósticos. Tinha razão: o que interessa para o comum dos mortais simplesmente receber o diagnóstico de, por exemplo, doença de Alzheimer? O que ele mais deseja saber é seu prognóstico: quantos anos ainda poderá trabalhar? Perderá a memória? Chegará a ficar impossibilitado de reconhecer os filhos?"

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Sobre o autor | Website

Sou estudante do 4º ano de Medicina na Faculdade de Medicina da USP, blogueira desde 2012 quando fazia Cursinho pré-vestibular. Há poucos meses comecei o Vlog Mediários no You tube.

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