O Livro Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade, é uma das novas Obras cobradas na Lista de Leituras Obrigatórias da Fuvest e Unicamp, a partir do Vestibular de 2013.

Para os vestibulandos e todos que estão se preparando para enfrentar provas ou exames vestibulares é importante se preparar lendo o livro, mas também lendo Resumos e Análises críticas da Obra para que possam se somar argumentos e pontos de vistas ao seu entendimento.

Para ajuda-los fiz esse Resumo, bem completo, sobre as características da literatura de Drummond, veja explicação do contexto Histórico (social e politico) da época da publicação, além de análise e interpretação de alguns dos principais poemas e informações sobre a Vida de Carlos Drummond.

sentimento do mundo Analise1 Sentimento do Mundo Carlos Drummond de Andrade   Características, Análise

Contexto Histórico

Sentimento do Mundo foi publicado no ano de 1940, numa pequena tiragem de 150 exemplares os quais foram distribuídos a amigos e outros escritores. Na época em fora escrito por Drummond, o Brasil vivenciava o Estado Novo de Getúlio Vargas e no plano internacional, houve o acirramento do Nacionalismo exacerbado e revanchismo decorrente do desfecho da Primeira Guerra Mundial, as relações sociais e politicas foram marcadas pelo surgimento e expansão das doutrinas do Nazismo e Fascismo na Europa.

Assim, o Estado Novo foi uma forma de regime ditatorial disfarçado pelo populismo, sendo declarado por Vargas em 1937 assim como uma nova Constituição (a Polaca) que ampliou o poder do presidente, desmobilizou os partidos de oposição e disputa com o governo. Para fortalecer o regime Vargas valeu-se da aprovação de direitos trabalhistas e forte propaganda de manipulação/persuasão e Censura (pelo Departamento de Imprensa e Propaganda – DIP), chegando a ser apelidado de “o pai dos pobres”, mas também “mãe dos ricos”.

Assim o Movimento intelectual e artístico foi marcado essencialmente pelo questionamento da existência humana, do sentimento de “estar-no-mundo”, das inquietações social, religiosa, filosófica, amorosa e etc. Carlos Drummond de Andrade é o poeta que melhor representa o espirito dessa geração – conhecida como Geração de 30.

Características do Livro “Sentimento do Mundo”

* O Livro faz parte da Segunda geração Modernista, fase em que os autores estavam livres do compromisso de combater o passado, usufruindo do espirito de liberdade de expressão anterior compunham tanto poesias de estrutura livre como sonetos e outras formas clássicas. Além disso, os princípios de valorização do nacional, do cotidiano e da linguagem simples já estavam consolidados em nossa literatura.

* A coletânea de poesias presente na obra advém da Fase Social (1940-45, segundo momento do amadurecimento do escritor) em que Drummond produz uma literatura engajada em causas politico-sociais.

* Na primeira fase de Drummond é desenvolvido o tema do Gauchismo, desencontro do eu, esse sentimento é expandido do individuo para o mundo, numa tentativa de transforma-lo / melhora-lo. Essa consciência da debilidade do mundo fez com que o poeta se simpatizasse com o Partido Comunista e com a causa socialista.

* Os poemas são marcados pela analise dos problemas de seu tempo e sentimento de solidariedade diante das frustrações e das esperanças humanas, alem de críticas realizadas pelo poeta. Veja abaixo um trecho do poema de abertura do livro:

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* Em certos poemas, é retratado o Rio de Janeiro, refletindo as tensões e novidades da cidade moderna com seu ritmo alucinante. Entre eles temos: “Morro da Babilônia”; “Inocentes do Leblon”; “Indecisão do Méier”; “Noturno `a janela do apartamento”.

* Verifica-se na obra “o forte poder de observação da realidade e dos acontecimentos, pois o poeta conseguiu capturar o espirito de um tempo convulsionado pela politica e pelas radicais transformações de um período histórico que ajudou a moldar o mundo que conhecemos hoje” (fonte 1a edição Companhia de Bolso 2012).

* Ha’ intensa variação na forma / estrutura dos poemas, pois alguns são como prosa (vide “O Operário no Mar”)

Análise da Obra – Interpretação dos Principais Poemas

* No Poema Confidência do Itabirano, abaixo, verifica-se uma faceta intimista e delicada em que Drummond relembra sua terra Natal (Itabira – agora “apenas uma fotografia na parede”). Nessa cidade foi criada a Companhia Vale do Rio Doce, extratora de minério de ferro.

Alguns anos vivi em itabira. / Principalmente nasci em itabira./ Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro./ Noventa por cento de ferro nas calçadas./ Oitenta por cento de ferro nas almas./ E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,/ vem de itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes./ E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,/ é doce herança itabirana.

De itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:/ esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil;/ este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;/ este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;/ este orgulho, esta cabeça baixa…

Tive ouro, tive gado, tive fazendas./ Hoje sou funcionário público./ Itabira é apenas uma fotografia na parede./ mas como dói!

Numa breve interpretação do poema, verifica-se que este é marcado pela forte presença de tristeza, saudade e amor `a terra natal, acentuados pelo emprego de paradoxos “E o hábito de sofrer, que tanto me diverte“; “este orgulho, esta cabeça baixa“. Revela-se também um traço da personalidade do homem do interior, sua Força.

* Interpretação da poesia Sentimento do Mundo:

Tenho apenas duas mãos / e o sentimento do mundo, / mas estou cheio escravos, / minhas lembranças escorrem/ e o corpo transige / na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu / estará morto e saqueado, / eu mesmo estarei morto, / morto meu desejo, morto / o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram / que havia uma guerra / e era necessário / trazer fogo e alimento. / Sinto-me disperso, / anterior a fronteiras, / humildemente vos peço / que me perdoeis.

Quando os corpos passarem, / eu ficarei sozinho / desfiando a recordação / do sineiro, da viúva e do microcopista / que habitavam a barraca / e não foram encontrados / ao amanhecer. / esse amanhecer/ mais noite que a noite.

O poema revela uma visão pessimista do mundo e seu futuro (“amanhecer” que é tenebroso visto que é “mais noite que a noite”). Essa visão baseia-se na dura realidade enfrentada na época (totalitarismos, guerra, desigualdades …) e sintetiza o sentimento do mundo, sobre o qual o eu-lirico demonstra suas limitações (“tenho apenas duas mãos”).

* Interpretação do poema Mãos Dadas:

Não serei o poeta de um mundo caduco. / Também não cantarei o mundo futuro. / Estou preso à vida e olho meus companheiros./ Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. / Entre eles, considero a enorme realidade. / O presente é tão grande, não nos afastemos./ Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,/ não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,/ não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, / não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. /  tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes, a vida presente.

O poeta afirma nos versos seu olhar voltado ao presente e `a realidade que vivencia, na qual não há espaço para o lirismo contemplativo, o escapismo romântico ou o pessimismo decadentista quando retratada em sua poesia. Identifica-se a solidariedade humana e um engajamento pela sociedade.

 

Carlos Drummond de Andrade: Vida e Obra

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Quando eu nasci, um anjo / desses que vivem na sombra / disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. (trecho do Poema de Sete Faces)

Desenvolveu entre sua Lírica poesia de temática amorosa, crítica, filosófica, irônica e social.  Nasceu em Itabira, Minas Gerais, em 1902, num mundo interiorano, da vida em torno de fazendas e pequenas cidades. Depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, sem nunca deixar um olhar itabirano da vida no campo.

Sua Obra apresentou varias fases de desenvolvimento e gêneros literários (poesia e cronicas), desde a mais individualista “gauche” (1930), a social (1940-45), a do “não” (décadas de 1950 e 1960 e a da Memoria (décadas de 1970 e 1980).

Desenvolveu como ninguém a reflexão sobre o Amor (em muitos de seus escritos faz belos neologismos), fala através da Metalinguagem em muitos poemas sobre o próprio ato de escrever, alem das características sociais e criticas já mencionadas.

 

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